segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

“Dez Mandamentos do Professor”, por Leandro Karnal









A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras , caducam em prazos muito curtos.
Inspirados neste exemplo, elaboramos os Dez Mandamentos do Professor. Estes dez mandamentos são fruto de uma experiência particular e não se pretendem eternos ou válidos em qualquer ocasião. Gostaria apenas de fornecer a colegas, como você leitor, uma reflexão particular, que possa ser aprofundada, reinterpretada ou rejeitada de acordo com a sua experiência.
O que me levou a pensar nestes princípios é a mesma angústia que assola qualquer educador: como ser um bom profissional, ensinar, transformar meu aluno e fazer parte desta transformação? Como superar o tédio dos meus alunos, a indisciplina, a irrelevância de algumas coisas que faço e meu próprio cansaço? Como não considerar a sala um fardo e o relógio um inimigo? Como parar de achar que só vivo a partir do fim-de-semana? A partir destes questionamentos, você está permanentemente convidado a adensar ou criticar, fazer seus outros dez ou sintetizar a dois ou três, pois, quem acha que pode melhorar a aula que dá , já começou a viver educação. E quem não acha que pode? Bem, deixa para lá! Ensinar não é a única profissão do mundo...

-PRIMEIRO MANDAMENTO: CORTAR O PROGRAMA!
Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.
-SEGUNDO MANDAMENTO: SEMPRE PARTIR DO ALUNO!
Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.
-TERCEIRO MANDAMENTO: PERDER O FETICHE DO TEXTO!
Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense…Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.
-QUARTO MANDAMENTO: POSSIBILITAR O CAOS CRIATIVO.
Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.
-QUINTO MANDAMENTO: INTERDISCIPLINAR!
Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

-SEXTO MANDAMENTO: PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO.
Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: “O Feudalismo” ou “O Relevo do Amapá”; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?
-SÉTIMO MANDAMENTO: VARIAR AVALIAÇÕES.
Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.
-OITAVO MANDAMENTO: USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!
O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.
-NONO MANDAMENTO: ANALISAR-SE PESSOALMENTE!
A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.
-DÉCIMO MANDAMENTO: SER PACIENTE!
Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula…) . Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.
Há alguns anos eu falava de alguns destes princípios e uma senhora redargüiu dizendo que ela fazia tudo isto e muito mais e, mesmo assim, os alunos estavam cada vez piores e com menos resultados. Olhei para esta professora e senti nela o reflexo de meus cansaços também. A única coisa que me ocorreu lembrar é uma alegoria, com a qual encerro este texto:

Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novo ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A auto estima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém. Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João , com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa. O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos , Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada! Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias defeedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados. O mestre mandou um módulo auto-instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…
Bem, eu disse à professora que me questionava: se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?
Fonte:   http://www.revistapazes.com/dez-mandamentos-professor/

domingo, 28 de fevereiro de 2016

As 11 escolas mais incríveis do mundo

No mundo todo, a maioria das crianças e adultos passam por uma educação tradicional, na qual aprendem conteúdos enraizados por intermédio de um professor, são testados através de provas e trabalhos, e precisam constantemente comprovar sua capacidade para escalar etapas e chegar até a universidade.
Muitas vezes, esse tipo de abordagem não traz à tona o melhor de cada estudante. Cada vez mais, filósofos, educadores e psicólogos estão descobrindo que as escolas tradicionais são ultrapassadas, matam a criatividade e não suprem a demanda atual por indivíduos com características empreendedoras e inovadoras.
No entanto, algumas das escolas mais incríveis do planeta estão começando a mudar o panorama acadêmico mundial. Conheça onze delas:

escolas incriveis 5

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016


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Exposição "Ponto Fora da Curva"

" O artista é uma espécie de "sismógrafo" dos movimentos psíquicos e espirituais de sua época. Desta forma, ele não é o que "decora" as paredes e os espaços, mas fala de toda uma problemática do ser humano, o que serve para abrir nossa consciência humana e avaliá-la."
(Elke Hering)

Fonte: Exposição "Ponto Fora da Curva" da Artista Albertina Prates, Centro Integrado de Cultura- CIC

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Parceria entre Escola da Ponte e Projeto Âncora oferece curso online

Com inscrições até o dia 14/02, curso "Fazer a Ponte no Brasil" apresenta metodologia alternativa de ensino-aprendizagem a educadores

por Maria Victória Oliveira  4 de fevereiro de 2016
Não é incomum conhecer educadores que buscam referências externas sobre diferentes processos e métodos de aprendizagem para aplicar em sala de aula, na escola ou em casa com seus filhos. Muitos deles já conhecem a Escola da Ponte, de Portugal, uma das referências mundiais em educação básica.
Por isso, a parceria entre a escola portuguesa e a ONG Projeto Âncora, localizada em Cotia, em São Paulo, traz novamente o curso online Fazer a Ponte no Brasil. Durante quatro semanas, os participantes poderão interagir entre si e com os professores, no horário que for conveniente, através de uma plataforma online.
Realizado no Brasil pelo terceiro ano consecutivo, o curso pretende apresentar aos participantes a metodologia da Escola da Ponte aplicada no Projeto Âncora que, assim como a escola portuguesa, não usa provas para medir os conhecimentos nem divide os alunos em séries de acordo com a idade. Além disso, os inscritos poderão entrar em contato com o professor português José Pacheco, fundador da Escola da Ponte e conselheiro da Escola Projeto Âncora.
Destinado a pessoas insatisfeitas com os métodos tradicionais de ensino e que se identifiquem com propostas alternativas de aprendizagem, o curso pode ser feito por alunos de pedagogia, educadores em geral, professores da rede pública e privada de nível fundamental, médio ou superior, além de professores da educação profissional e corporativa.
Os únicos requisitos para acompanhar as aulas é ter uma conexão estável com internet e conhecer a dinâmica de receber e enviar mensagens online. Além disso, os responsáveis pelas aulas aconselham que os participantes tenham ao menos duas horas livres por dia útil para dedicarem ao curso ao longo das três semanas de duração, o que totaliza 30 horas (10 horas por semana). Aqueles que concluírem essa carga horária e entregarem a atividade final podem solicitar aos organizadores do evento um certificado de participação.
As inscrições para o curso podem ser realizadas até o dia 14 de fevereiro. As aulas começam no dia seguinte, dia 15, e vão até dia 04 de março. O investimento é de R$ 550, mas as primeiras inscrições têm um desconto de até 50% (R$275), valor que pode ser pago à vista (por depósito bancário), ou em até 12 ou 15 vezes nos cartões de crédito Mastercad/VISA e American Express, respectivamente.
As escolas e secretarias de educação que inscreverem grupos de educadores (de ao menos seis integrantes) têm uma condição especial: também recebem desconto de 50% em cada inscrição, independente da data que for realizada. Nesse caso, o representante do grupo deve mandar um email para o endereçoeducacional@aquifolium.com.br e informar nomes e endereços de email dos inscritos, CNPJ, razão social e endereço da instituição ou órgão público.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

com o Educador Ken Robinson

A aula com Sir Ken Robinson durou apenas uma hora, mas foi cheia de reflexões e histórias que ampliam nosso olhar sobre o tema da educação. Para quem quiser acompanhar a primeira parte do encontro, clique aqui.
Como já comentei no primeiro post, Sir Ken Robinson estava no Brasil a convite daHSM, uma empresa de conteúdo, eventos e capacitação voltada a executivos. Além de dar palestras, Robinson veio lançar outro dos seus livros em português, cujo título é Libertando o Poder Criativo.
No meio da conversa, ele compartilhou uma discussão entre ele e a professora de francês da sua filha. A filha estava chateada com as aulas de francês, então ele perguntou para a mestra se ela tinha alguma teoria que explicasse a tal falta de entusiasmo. A professora disse que parte dos estudos de francês é inerentemente chata, infelizmente. Robinson esticou a conversa: professora, que tal explorarmos todas as possibilidades que explicam essa situação? Existem conteúdos chatos por si mesmos ou é o processo de ensino que é chato? Para Ken, um dos pontos-chave é o professor perceber qual a hora em que ele precisa mudar de direção, encontrar outras maneiras de caminhar.
Para destacar a importância da transformação dos processos educacionais, Robinson trouxe à tona a sua visão sobre três elementos fundamentais: imaginação, criatividade e inovação. Veja o que ele entende quando menciona cada uma dessas palavras:
Imaginação – ato de trazer à mente o que não está no presente, que ainda não está à vista no mundo;
Criatividade – é usar a imaginação para criar ideias significativas;
Inovação – colocar ideias em prática.
Se seguirmos esse raciocínio, veremos que antes de inovar é preciso imaginar, depois mergulhar num processo de criatividade.
Quando os Beatles começaram, por exemplo, sabiam apenas dois acordes. Para aprender o terceiro, pegaram um ônibus que atravessou a cidade em busca de um cara que sabia o que eles queriam aprender (vocês encontram essa história completa no livro O Elemento). Ao contar essa história, Robinson ressaltou que “a criatividade está enraizada na disciplina, mas não confinada nela”. E depois, completou: “Se você investir no talento das pessoas, elas criarão suas próprias oportunidades”.
Outro assunto foi a tendência de se dar importância excessiva a matérias como matemática e ciências quando se fala em educação. Na visão de Ken, esse movimento nega o fato de a vida não ser linear e de que as pessoas desinteressadas pelas temáticas exatas e científicas são muitas vezes forçadas a ir contra suas próprias vontades.
O próprio escritor revelou que, nos primeiros anos como professor, cometeu muitos erros, mas nem por isso desistiu de repensar seu papel nos processos que estava criando. No final, comentou que os professores serão, futuramente, curadores, e citou referências como a School of One, uma experiência em NY cuja essência é a personalização do ensino. E assim terminou o encontro de uma hora com Ken Robinson. Uma hora ouvindo histórias que até hoje ecoam por aqui, que instigam nossa criatividade a se transformar em inovação, a continuar mais viva do que antes.
* Durante a sessão de autógrafos do livro Libertando o Poder Criativo, troquei algumas frases com Sir Ken Robinson sobre o nosso projeto de educação.
E não me contentei só com as poucas frases: entreguei também uma carta escrita à mão, nela explicava o Educ-ação com mais detalhes e convidava o Sir Ken Robinson a escrever a introdução do nosso livro. Ainda não tive resposta, mas já lancei o sonho no mundo.