segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Para Zete e Marcão!

muito de sabe, se sente, se presencia
a separação de muitos casais que por motivos
variados interrompem a vida em comum. Alguns por breve
período, outros pra nunca mais, outros ainda permanecem ligados de algum modo. Na verdade os relacionamentos são de todo tipo e de toda ordem. É lindo ver um casal de cabelos brancos passeando de mãos dadas como também presenciar o enamoramento dos recém conhecidos. As fases da vida vão passando e nos transformando. O que éramos ficou em algum retrato, algum pedaço de papel. As lembranças ficam espalhadas como sementes, que algum dia, de algum tempo é possível que renasça com todo seu vigor. E algumas recordações gostosas com certeza são as gargalhadas dadas, nem que seja por uma bobagem, por uma piada mal contada. Alguém já escreveu sobre o "segredo" da duração de um relacionamento e a "resposta" foi o riso e a conversa dois temperos, segundo o escritor, indispensáveis pra uma vida em comum. Claro que podem existir outros, muitos outros, mas não nada melhor do que uma boa gargalhada, daquelas de dar dor na barriga e fazer chorar. Tem um casal conhecido que riem juntos a quase quarenta anos e hj deu pra ouvir as gargalhadas de longe!!!
É verdade que já brigaram e brigam ainda, mas como disse o poeta...."é melhor brigar juntos do que chorar separados".

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

As artérias
Do coração
Jorram
Tintas
De todas
As cores
Abrem brechas
Sinalizam horrores
Atravessam pontes
Túneis
Rios
Mares
E marés
Em cada
Passagem deixam
Rastros
Pingos de tinta
Fios de cabelo
Lembranças de rostos
Olhares
Palavras
Que saem
Por todos
Os poros
De um corpo
Insano
Demente
De amor

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

a mão espalmada
lambendo ossos
quebrando sonhos
iluminando almas
que atravessam
as paredes da ilusão

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

a casa
floresce em luz
a cor púrpura
do abacateiro
o jardim
arde em chamas
amarelas
a porta
aberta esperando
a chegada
do vento sul

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

a sombra
do sorriso azul
sobre o asfalto
embrutecido
em linha reta
a vida é torta
a pluma do absurdo
exaspera
                            nov.| 2019

o ônibus passa
na estrada escura
já é meia noite
a música não para
de tocar
o som do piano é familiar
nas mesas do bar
as pessoas conversam
sobre amenidades
e a música
não para de tocar
                                     29/11/2019

um prato
um rato
uma poeria
na escuridão
uma fala ecoa
dentro do coração
no buraco 
da agulha
a água
é benta
o santo
é louco
a luz
afunda
As quatro da manhã
desperto de um sonho estranho
que agora
depois de algumas horas
minha memória
me afaga
tentando lembrar
só lembro 
que acordei
às quatro
da manhã
a luz 
da cabeceira acesa
um livro deitado
sobre o peito
não me senti 
tão só
A passarinhada cantarola
por trás dos morros
o bem-te-vi veio beber da água
que passa no córrego
o lagarto se aproxima
da comida deixada
no canteiro
e a saracura
lá no fundo do quintal
entoa a música 
da conto infantil

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A porta dos fundos
entreaberta
o capim verde
recém molhado
da chuva 
que cai lá fora
o pássaro canta 
em três tons
o carro do lixo
está passando
o café na mesa
nessa manhã
de sábado 
tem um sabor
de esperança
Na soleira
da porta
o verstido
de chita
debruça
sobre a renda
de bilro
as mãos enrugadas
embaralham 
a linha
da vida

terça-feira, 29 de outubro de 2019

o último pôr de sol
o último pescador
a última gaivota
o último espelho d'água
o último lanço de tarrafa
o último banho de mar
o último entardecer
um último olhar

domingo, 27 de outubro de 2019

a folha
lança o braço
através da cerca
quer alcançar
uma janela aberta
de onde sai
uma luz de esperança
uma noite
uma flor
um buraco
uma dor
de olhos abertos
o sonho acontece

Nenhuma descrição de foto disponível.
a mesa branca
o óculos sobre
o livro
as tintas espalhadas
as fotos coladas na madeira
o cesto de vime
o violão encostado
na parede
os livros de arte
que ficaram de herança
o ônibus acaba de passar
na rua geral
hoje é sexta-feira
dia de feira em
Santo Antônio
o dia está nublado
e como diria um escritor
conhecido......
"A vida vai mas vem vindo"

terça-feira, 15 de outubro de 2019

colheres de pau
enfeitam
um vaso 
de renda
a água quente
molha a erva-mate
a planta verde
no vaso cinza
lembra cebolinhas
gigantes
o pinga-pinga
do chuveiro
que acabou 
de ser usado
lá fora
a chuva fina
é uma bênção

um olhar
junto às mãos
um rosário
uma reza
a claridade
ofusca os olhos
o relógio
aponta as horas
um coração partido
ainda bate
o mar
a canoa amarela
um pingo
de tinta
um resto 
de sol
a canoa
balança
a rede 
esticada
um pingo
de tinta
e o siri
no puçá

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Ouvir o silêncio
No barulho constante
A mamão macio
Derrete na boca
A chuva escorre
No beirado da casa
O galo
O bem-te-vi
O pica-pau
Dão o tom
Dessa manhã
Cinzenta

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O motor do carro
ecoa no bairro
A serra elétrica
no prédio
da esquina
o sabiá no garapuvu
o relógio na parede
da cozinha
o vento sul
nas árvores
a música
na casa vizinha
os passos firmes
na calçada
o lanço da tarrafa
na praia
o choro da criança
na pracinha
o estalar do beijo
no rosto
o abraço apertado
no corpo
o coração dentro
do meu peito

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

na sala
uma passagem
estreita
onde tudo
antes era
familiar
agora
só paredes
sólidas
brancas
intocáveis

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A bicicleta vermelha
as raízes no manguezal
os carros passam
as pessoas correm
o lixo sem destino
a casal de mãos dadas
uma flor pintada
o jardim de afetos
a palavra engasgada
o cansaço presente
as pegadas deixadas
o livro empoeirado
linhas que ninguém viu
um olhar que ficou
uma saudade constante
a lua que a noite deixou
o sapo martela
e a maternidade
soluça

domingo, 15 de setembro de 2019

os quadros
sobre a cadeira
o ventilador 
virado pra parede
as bonecas chinesas
enfeitam a prateleira
os sapatos
na espera que alguém
os calce
o café está posto
a planta a procura 
de luz
as roupas secam
no varal
o pica-pau canta
a floresta resiste
a manta vermelha
cobre o sofá
a televisão pra ninguém ver
o vaso sem flor
o relógio não pára
a flor colhida
a filha que acaba de chegar
a saudade dele
mais um prédio
é construído neste instante
mais um carro sai da garagem
a cidade e seus ruídos
e hoje é sexta de novo

quarta-feira, 31 de julho de 2019

As conversas
ecoam
as cadeiras
em desalinho
a toalha 
amarrotada
e as taças
ainda exalam
o perfume
da uva

sexta-feira, 19 de julho de 2019

ela levou a tia
no médico
e ele pediu vários
exames
pra dar o devido
diagnóstico pro
estado de saúde
dela
e um dos exames
foi o de fezes
só de saber disso
a tia ficou com
intestino preso
depois de quase
quatro dias
finalmente conseguiu
se aliviar
colocou o produto
na devida embalagem
e pediu
que a sobrinha entregasse
no laboratório
e recomendou que não podia
passar vinte e quatro horas
pois a encomenda
poderia "estragar"
depois de tal
recomendação a moça
procurou ser diligente
e seguiu o destinho
lá chegando se deu conta
que por conta da pressa
o pacote estava
com um saquinho
plástico transparente
e ela tinha um caminho
a pé um pouco longo
na verdade ela tava
um pouco envergonhada
com a ideia de alguém
desconfiar e sentir
o que ela carregava
não encontrou outro
jeito e foi assim mesmo
até o local da entrega
parou numa fila
as mãos começaram
a suar
a impressão dela é
que todos sentiam
algum odor
foi atendida
e foi informada que
o local ficava em
outra sala que ficava
a três corredores dali
ela já estava a ponto de desistir
quanto mais demorava
a aflição aumentava
quando finalmente achou
o lugar
o atendente falou bem alto
a senhora veio entregar o exame de
FEZES?????
por um momento ela pensou
em responder.....
não vim te entregar um chocolate
feito artesanalmente
ela riu-se
pegou o comprovante
da entrega
e foi embora
aliviada

segunda-feira, 15 de julho de 2019

no quarto
as duas janelas
fechadas
o aquecedor ligado
sobre o banco
redondo
o estojo
com canetas
coloridas
sobre a cama
vários esboços
de diferentes
cenas
uma especialmente
familiar
uma penteadeira
com três gavetas
e um espelho
que já foi
moldura
de muitos
rostos
olhares
sorrisos
e viu
uma adolescente
se transformar

sexta-feira, 12 de julho de 2019

a blusa azul
deixada sobre 
a cadeira 
de palha
a mesa 
redonda
aguarda 
a toalha 
de jantar
na cozinha
os pés 
com meia
calçam sandálias
de dedo e
andam apressados
de um lado
pro outro
a panela
de pressão
assobia
cebolinha
salsinha
alho
são picados
a faca
batuca 
os olhos 
molhados
são enxutos
no avental
xadrez
Elis Regina
canta...
"Se eu quiser
falar com Deus"

terça-feira, 25 de junho de 2019

Argolas
prateadas
enfileiradas
lado a lado
parecem travar
um papo
reto
                                                   Virgínia Alves
                                                     junho de 2019
A palaavra
cabide
sempre esteve
em meu vocabulário
mas hoje me 
 soa estranha
acho que nunca
tinha parado pra 
pensar na palavra
cabide
vou ao dicionário
e leio
que a palavra
vem do árabe
qabda, "garra, gancho"
pesquisando mais
a fundo li que o 
termo pouco usado
para cabide é mancebo
que vem do latim
mancipius aí
vem uma explicação
histórica, que quem
ficou curioso pode
pesquisar 
tudo isso
transcorreu porque
perdi o sono
são quatro da manhã
e resolvi encafifar
com a palavra
c
a
b
i
d
e

                                                        Virgínia Alves
                                                          junho/2019