quinta-feira, 26 de setembro de 2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

na sala
uma passagem
estreita
onde tudo
antes era
familiar
agora
só paredes
sólidas
brancas
intocáveis

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A bicicleta vermelha
as raízes no manguezal
os carros passam
as pessoas correm
o lixo sem destino
a casal de mãos dadas
uma flor pintada
o jardim de afetos
a palavra engasgada
o cansaço presente
as pegadas deixadas
o livro empoeirado
linhas que ninguém viu
um olhar que ficou
uma saudade constante
a lua que a noite deixou
o sapo martela
e a maternidade
soluça

domingo, 15 de setembro de 2019

os quadros
sobre a cadeira
o ventilador 
virado pra parede
as bonecas chinesas
enfeitam a prateleira
os sapatos
na espera que alguém
os calce
o café está posto
a planta a procura 
de luz
as roupas secam
no varal
o pica-pau canta
a floresta resiste
a manta vermelha
cobre o sofá
a televisão pra ninguém ver
o vaso sem flor
o relógio não pára
a flor colhida
a filha que acaba de chegar
a saudade dele
mais um prédio
é construído neste instante
mais um carro sai da garagem
a cidade e seus ruídos
e hoje é sexta de novo