quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

a bicicleta amarela
a criança brinca
de pedalar
o pai segura
e empurra
devagarinho
pra que ela
sinta
o vento 
no rosto
a liberdade
na alma
as mãozinhas
seguram
o guidon
ela olha
pra ele
e sorri
demonstrando
o prazer
do vento
da liberdade ...
ela brinca de pedalar

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

o pai 
chega em casa
a criança
saudosa
fica ao
lado dele
durante o jantar
provoca uma
brincadeira
se esconde
atrás da cadeira
e reaparece
provocando um susto
ele entra na brincadeira
e finge se assustar
de repente ela escorrega
e a cadeira cai em cima dela
o pavor do pai é inevitável
quando vê o rosto dela
coberto de sangue
pega a criança
no colo e sai correndo
porta a fora
em direção
a emergência
mais próxima
a mãe não sabendo
o que acontecia
sai correndo
e pondera pra que
ele não se apavore tanto

e que talvez
um remédio caseiro
faria algum efeito
mas de nada adianta
ele já arrancava
com o carro da garagem
chegando no pronto
socorro e após exame
o motivo da sangueira
foi um pequeno corte
na testa
sem maior relevância
mas que para segurança
foi preciso levar um ponto
mas a estória que se conta
é que a criança não deixou
ser anestesiada
levando o ponto assim mesmo
estórias de família
que são contadas
e repetidas
muitas vezes
e ela hoje na casa
dos cinquenta
carrega esse
acontecimento
como um
troféu
de muita
coragem
não só o
troféu
como
a marca
na testa

sábado, 16 de fevereiro de 2019

as paredes
de madeira
estão de pé
há mais de
cinquenta
anos
já viram
muitas estórias
muitos momentos
de festa
muitas brincadeiras
muitas conversas
aquecidas pelo
fogão à lenha
onde os pais
depois de um dia
de praia
sentavam na sala
iluminada pelo
lampião
e ouviam
música
na eletrola
laranja
os filhos
desde cedo
aprenderam
a gostar de chico
caetano
gil
joão gilberto
tom jobim
e tantos outros
que naquelas
noites
iluminadas
pelo
lampião
se
aprendeu
o gosto
pela boa música

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

no seu
vestido brando
ela sobe
a escadaria
de mármore
os cabelos
em desalinho
a sandália
dourada
aperta
o calo
no pé
esquerdo
chega
no grande
salão
do baile
uma sensação
como um
dejavu
uma angustia
no peito
aquelas pessoas
ao seu redor
dançam
uma valsa
longa
corre
os olhos
a procura
do seu par

domingo, 3 de fevereiro de 2019

uva
na parreira
domingo
procissão
vai passar
a chuva
cai sem parar
a cadeira
vazia na sala
a voz dele
ecoa na casa
o barulho
do chinelo arrastado
o olhar fundo
com a esperança
da vida vingar
são quase
dez horas
da manhã
e eu aqui
esperando
a chuva passar

sábado, 2 de fevereiro de 2019

a máquina
de costura
traz
lembranças
da avó
paterna
que ficava
horas a fio
fazendo
ou
consertando roupa
para ter
o seu
ganha pão
no final de
cada mês
como ela
dizia
fazia serão
muitas noites
mas como
seu companheiro
de vida era
alfaiate
o trabalho
se tornava
prazeroso
porque conversavam
trocavam ideias
sobre a vida
e construíam
sonhos
e um deles
se tornou
realidade
a construção
de uma casa
nova no centro
da cidade
onde viveram
anos
criaram seus filhos
netos e até
bisnetas
de geração
em geração
a máquina
de costura
é como
um troféu
guardado
com muito
zelo