terça-feira, 17 de outubro de 2017

Luz Del Fuego







Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!
Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como luz del fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!
Eu hoje represento uma fruta
Pode ser até maçã
Não, não é pecado,
Só um convite
Venha me ver amanhã
Mesmo!
Amanhã! amanhã! amanhã!
Eu hoje represento o folclore
Enrustido no metrô
Da grande cidade que está com pressa
De saber onde eu vou
Sem essa!
Eu hoje represento a cigarra
Que ainda vai cantar
Nesse formigueiro quem tem ouvidos
Vai poder escutar
Meu grito!
Eu hoje represento a pergunta
Na barriga da mamãe
E quem morre hoje, nasce um dia
Pra viver amanhã
E sempre!


Compositores: Rita Carvalho / Rita Lee Jones Carvalho

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Choro Bandido - Chico Buarque







Choro Bandido
Chico Buarque

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons



sábado, 30 de setembro de 2017

Chico Buarque - Futuros Amantes






Futuros Amantes

Chico Buarque




Não se afobe, não

Que nada é pra já

O amor não tem pressa

Ele pode esperar em silêncio

Num fundo de armário

Na posta-restante

Milênios, milênios no ar



E quem sabe, então

O Rio será

Alguma cidade submersa

Os escafandristas virão

Explorar sua casa

Seu quarto, suas coisas

Sua alma, desvãos



Sábios em vão

Tentarão decifrar

O eco de antigas palavras

Fragmentos de cartas, poemas

Mentiras, retratos

Vestígios de estranha civilização



Não se afobe, não

Que nada é pra já

Amores serão sempre amáveis

Futuros amantes, quiçá

Se amarão sem saber

Com o amor que eu um dia

Deixei pra você








terça-feira, 26 de setembro de 2017

com Ruy Espinheira Filho





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CANÇÃO MATINAL



Acorda bem cedo o homem
da casa de telha-vã
e abre janela e porta
como se abrisse a manhã.

E eis que a vida não é mais
nem triste, nem só, nem vã.
É doce: cheira a goiaba
e brilha como romã

orvalhada. E ele caminha,
o homem, com passos de lã
para em nada perturbar
a quietude da manhã.

Já não há mágoas de perdas
nem angústias de amanhã,
pois a alma que há na calma
entre a goiaba e a romã

é a própria alma do homem
da casa de telha-vã,
que declara a noite morta
e acende em si a manhã.

(Ruy Espinheira Filho ) 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Ânima - Tribalistas





Ânima

(Tribalistas)


Numa outra dimensão

Não tinha teto nem chão

Não havia início nem final



Eu caí numa placenta

No fim dos anos sessenta

No hemisfério sul ocidental



Da onde eu vim

Eu não trouxe mala

Não trouxe nada



Não trouxe cor

Eu não trouxe massa

Só trouxe alma



Deixa ser e deixa estar

Deixa ir, deixa ficar

Deixa quieto, deixa o céu no mar



Deixa a nuvem, deixa o ar

Deixa a pluma flutuar

Deixa o tempo, deixa circular



Pra onde eu vou

Eu não levo casa

Não levo nada



Vou nesse voo

Eu não levo peso

Só levo asa



fonte: https://www.letras.mus.br/tribalistas/anima/


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Edgar Morin - A demonização do outro





"Pois o específico das relações entre seres humanos é que o outro é, ao mesmo tempo, diferente e parecido conosco. ele é diferente por sua singularidade, suas características próprias, sua cultura, seu caráter. Mas é parecido conosco pela capacidade de sofrer, de amar, de chorar, de rir, de refletir. "



"Cada um mente a si mesmo, quer esquecer suas fraquezas, suas carências e coloca o outro como vilão, o malvado, que tem fraquezas e carências. "



(Edgar Morin)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

com Manoel de Barros

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Eli Heil - criadora e criatura





"Uma vez o Harry Laus, perguntou, Eli como é que eu vou te classificar? Eu disse, ah meu filho eu não tenho rótulo...expressionista, outros diz primitiva, outros diz que eu sou surrealista, diz arte pop, arte incomum, nem eles sabe como vão me classificar, né. Daí eu disse assim, coloca imaginária, eu disse assim pra ele né, daí no mesmo instante deu um clic na minha cabeça. Imaginária?  Pois se eu nem imagino já faço !!! " (Eli Heil   -  1929/2017 )

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Chico Buarque - "Tua Cantiga"











Tua Cantiga
Autoria: Chico Buarque/ Cristovão Bastos

Letra:

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro
Que eu vou ligeiro
Te consolar

Se o teu vigia se alvoroçar
E estrada afora te conduzir
Basta soprar meu nome
Com teu perfume
Pra me atrair

Se as tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço
Que eu te alcanço
Em qualquer lugar

Quando teu coração suplicar
Ou quando teu capricho exigir
Largo mulher e filhos




E de joelhos




Vou te seguir




Na nossa casa
Serás rainha
Serás cruel, talvez
Vais fazer manha
Me aperrear
E eu, sempre mais feliz

Silentemente
Vou te deitar
Na cama que arrumei
Pisando em plumas
Toda manhã
Eu te despertarei

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro
Que eu vou ligeiro
Te consolar

Se o teu vigia se alvoroçar
E estrada afora te conduzir
Basta soprar meu nome
Com teu perfume
Pra me atrair

Entre suspiros
Pode outro nome
Dos lábios te escapar
Terei ciúme
Até de mim
No espelho a te abraçar

Mas teu amante
Sempre serei
Mais do que hoje sou
Ou estas rimas
Não escrevi
Nem ninguém nunca amou

Se as tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço
Que eu te alcanço
Em qualquer lugar

E quando o nosso tempo passar
Quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega
Desta cantiga
Que fiz pra ti
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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poema "Difícil fotografar o silêncio", de Manoel de Barros, declamado por Antônio Abujamra







Difícil fotografar o silêncio
(Manoel de Barros)

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta.
Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.

Preparei minha máquina de novo.

Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado.
Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakoviski -- seu criador.
Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

terça-feira, 27 de junho de 2017

com Leandro Karnal





"Transferir a sua dor de existir e a minha pra um terceiro é uma das melhores coisas. É o chamado bode expiatório" (Leandro Karnal)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

com Bebeto


                                                     

                             

                                             Bebeto, professor de xilogravura da Oficina do CIC (Centro Integrado de Cultura), fala de como começou a trabalhar com a gravura e sua paixão pela arte. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

POEMA por Manoel de Barros


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                  A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu                           eu sei.

                  Meu fado é o de não saber quase tudo.
                  Sobre o nada eu tenho profundidades.
                  Não tenho conexões com a realidade.
                  Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
                  Para mim poderoso é aquele que descobre as 
                  insignificâncias (do mundo e as nossas).
                  Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
                  Fiquei emocionado e chorei.
                  Sou fraco para elogios.
                                                               (Manoel de Barros)
  
                         

terça-feira, 30 de maio de 2017

com José Mujica





Uma entrevista com José Mujica, extraída do documentário, "Humano, Uma Viagem pela Vida !!!" Ele fala sobre felicidade, sobriedade e vida.

domingo, 28 de maio de 2017

Brincando com as palavras...




                                  cedo
                                  creio
                                  apareço
                                  minha
                                  sede
                                  insana
                                  do
                                  leite
                                  no 
                                  seio
                                  materno
                                  amamento

(inspirado na exposição, Palavra em Movimento, de Arnaldo Antunes)
    
                                

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Laerte-se





Um documentário que mostra um pouco da vida de Laerte Coutinho, suas transformações e reflexões!!!!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

"Tudo que consideramos real é resultado de uma construção social. Ou seja, de maneira mais contundente, nada é real a menos que as pessoas concordem que assim o seja." 
Construcionismo Social um convite ao diálogo - Kenneth J. Gergen e Mary Gergen (pág. 20)