sábado, 26 de janeiro de 2019

o vento
verde 
que vem 
do mar encapelado
como ele gostava 
de chamar
ao fundo 
a igreja de 
santo antônio
por onde ele passava
quase todos
os dias
na sua pedalada matinal
passava
se benzia
e assim aliviava
a alma
das mazelas
da vida
percorria toda a vila
e no caminho
ia cumprimentando
amigos de velha
data
alguns amigos
da escrita
outros das 
artes plásticas
parecia que o
destino
reunira
todos que de
alguma maneira
estavam ligados
a arte
naquele lugar
bucólico
mas o velho
adorava mesmo
era a aldeia
onde morava
ali ele se 
sentia
no paraíso
onde podia
deitar na rede 
num fim de tarde
e contemplar
a natureza 
que o cercava
e era 
a matéria-prima
pras suas crônicas
e poesias
tanto é assim
que ele
escreveu
aproximadamente
dezessete livros
na maioria
de crônicas
e alguns de poemas
tanto era o gosto
pela escrita
que o filho 
mais velho
seguiu 
o mesmo caminho
mas preferindo
a arte
do chamado
poema concreto
o velho
tinha um jeito
de ser
peculiar
gostava de falar sozinho
preferia a escada
ao elevador
tanto é assim
quando precisou 
morar
em apartamento
ele não comprava
acima do 
segundo andar
o avião
era um meio
de transporte que
usou algumas vezes
por necessidade
de trabalho
mas na última
vez que usou
ao pisar 
em terra firme
beijou
o chão do aeroporto
era amante das 
coisas simples
um bom livro
uma boa música
e a sua máquina
de escrever
era inseparável
a colocava 
nos joelhos
e com os dedos
indicadores
teclava
tão rápido
que o som
era quase como
um samba
e assim ele
seguia
sua rotina
na vida
entre palavras
e seu olhar
poético
sobre tudo
ele
viveu
tranquilo
na
aldeia
até

último
suspiro

em 
paz
velho da aldeia

Nenhum comentário:

Postar um comentário