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"Eu sou animado por uma ética da auto-observação,
acredito que essa prática é necessária em função daquilo que acabei de dizer. Cada um
acredita conhecer a si mesmo, mas na verdade se conhece muito mal. Por que? Porque
nós mascaramos nossas carências, nossos defeitos e ressaltamos aquilo que nós
acreditamos ser as nossas qualidades, ou um teatro das nossas qualidades. No fundo,
cada um se conhece muito mal. O que é uma pena é que na nossa cultura, na nossa
sociedade, não se ensina as crianças a tentar se observar, por exemplo, por meio de
um diário. Se eu fizesse uma reforma no ensino, eu diria aos professores que pedissem
aos alunos, assim que eles começassem a escrever, que eles mantivessem um diário,
que todas as semanas eles trocassem os diários entre si para entender como cada um
viveu os mesmos acontecimentos. Porque isso é que é interessante também, o mesmo
acontecimento, um acidente de carro, por exemplo, é visto de uma maneira diferente
por aqueles que estavam dentro do carro, pelos observadores. Nós sabemos que existe
esse problema da percepção, por isso é muito importante se auto-observar para se
tornar capaz de observar os outros. E se começamos a compreender que cada um de
nós tem suas carências, suas misérias, suas fraquezas, se sentirmos isso em nós,
seremos muito mais compreensivos para com as fraquezas, os erros, as misérias do
outro."
Edgar Morin
Fonte: http://ww2.sescsp.org.br/sesc/download/2012/edgarMORIN_diarios.pdf
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