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" A grande dificuldade das relações passa pelo que nos é muito complicado, reconhecer o outro.Uma dificuldade que nasce do fato de que tentamos reconhecer a partir de um lugar, o de suposto saber, que detemos, reconhecendo o outro a partir de nosso lugar de professor, de psicólogo, de juiz. Tratamos de reconhecer o outro, situando-o em nosso saber e em nossas práticas. Ou o situamos a partir de nosso saber, que nos aprisiona o pensamento, e mata nosso sentimento ( situando o outro, o negamos em nós). É um saber que persiste em nos ter prisioneiros, fazendo-nos pensar sem sentir o outro e ao outro que se apresenta como real. A transmodernidade é um esforço para nos fazer sair de nossos lugares e para nos ajudar a sentir e pensar, fora dos lugares, outras realidades todavia, não impostas. É uma saída fora do lugar com o outro para talvez nos encontrarmos com alguma nova eleição vital, radical para nossa existência. A sabedoria consiste em aprender a sair do lugares, tratar de nos aceitar sem nenhum lugar, como autônomos.
Em um sentido muito forte, a cidadania-direitos transumanos seria a construção, com o outro, de espaços de reconhecimento onde podemos, com responsabilidade, quebrar os lugares. É um encontro com o outro, onde ambos saem de seus lugares, para encontrar e vislumbrar o entre-nós; esse espaço de reconhecimento , que eu gosto de chamar de outridade."
( Luis Alberto Warat - O Ofício do Mediador - pags. 208/209)
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