terça-feira, 20 de maio de 2014

"Fala que eu te escuto", reportagem Revista Carta Capital

Uma jovem oferece um dedo de prosa a quem passa pela Avenida Paulista. Por Fábio Fujita



No quarteirão da Avenida Paulista entre as ruas Augusta e Frei Caneca, coração da cidade de São Paulo, uma infinidade de artistas amadores tenta, cada um à sua maneira, chamar a atenção. Há os hippies que vendem colares de miçangas, os covers de Michael Jackson e Elvis Presley, bailarinas, mensagens nas paredes do terrorismo poético, estátuas vivas, caricaturistas, seresteiros, guitarristas. Desde janeiro, talvez ninguém desperte, porém, mais curiosidade do que uma moça de 22 anos. Menos pelas ruivíssimas madeixas de pontas rosa-choque, mais por sua “performance”. Sentada no centro da calçada em frente ao famoso Conjunto Nacional, Mariana Schettino expõe uma cadeira de praia e um colorido cartaz-convite escrito com uma simpática caligrafia: “Vamos conversar? Sente-se comigo!”
Um convite para conversar? A suposta banalidade da proposta costuma deixar os pedestres atônitos. Há quem fique prostrado diante da jovem, lendo e relendo o cartaz, como se a existência de alguém que nada quer além de um dedo de prosa não pudesse ser algo real. Com frequência, os cidadãos sacam seus celulares para registrar o improvável convite.
Paulista

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