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"Na noite de domingo retrasado, dia 8 de março, no quarteirão do meu apartamento, assim que a presidente Dilma começou seu pronunciamento de rádio e TV, explodiu um panelaço: as pessoas diziam que, nesta altura, elas não queriam sequer ouvi-la.
Da janela, deu para escutar alguns gritos. A maioria era "fora PT" ou "fora Dilma". Uma minoria gritava "Dilma vaca" e houve um "Dilma puta".
No dia seguinte, recebi alguns e-mails incomodados, se não indignados, com esses insultos. Algumas amigas declaravam que eles eram mais uma prova do machismo ambiente: isso não aconteceria se Dilma não fosse mulher.
Também me incomodei com aqueles insultos, mas por razões diferentes. Primeiro, porque me pareceu óbvio que, se o presidente fosse homem, apenas haveria uma pequena correção de tiro: ele seria chamado de "veado" ou de "filho da puta"."
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